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Quinta-feira, Maio 30, 2024

Uma Moderna Olympia, Paul Cézanne

Guilherme Antunes
Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

“Uma Moderna Olympia”, de Cézanne. Paul Cézanne, pintor pós-impressionista francês.Este quadro impressionista é o primeiro com que o artista se estreia junto dos seus amigos do novo estilo revolucionário, por volta de 1874. Será mais tarde que Cézanne assumirá a vanguarda, por ele comandada, da Arte moderna, através de uma concepção do real que abalaria definitivamente os alicerces do Impressionismo.

Admirador de Manet, quis homenageá-lo através do tema tão estigmatizado, mas ao mesmo tempo polvilhá-lo de uma atitude poética que o seu motivo carecia. Se, na dificuldade de nos eximirmos do aspecto historicista, for possível aos nossos sentidos dar largas às andanças mentais da nossa sensibilidade, poder-se-á ter mais “queda” por este que pelo outro? Talvez, talvez…

Informação adicional

 

Artista: Paul Cézanne 
Dimensões: 46 cm x 55,5 cm
Local: Museu de Orsay
Material: Óleo sobre tela
Criação: 1874
Período: Impressionismo
Género: Pintura histórica


Nota de edição

Paul Cézanne
1839-1906

Cézanne pode ser considerado como a ponte entre o impressionismo do final do século XIX e o cubismo do início do século XX. A frase atribuída a Matisse e a Picasso, de que Cézanne “é o pai de todos nós”, deve ser levada em conta.

Após uma fase inicial dedicada aos temas dramáticos e grandiloquentes próprios da escola romântica, Paul Cézanne criou um estilo próprio, influenciado por Delacroix. Introduziu nas suas obras distorções formais e alterações de perspectiva em benefício da composição ou para ressaltar o volume e peso dos objectos. Concebeu a cor de um modo sem precedentes, definindo diferentes volumes que foram essenciais para suas composições únicas.

Cézanne não se subordinava às leis da perspectiva e, sim, as modificava. A sua concepção da composição era arquitectónica; segundo as suas próprias palavras, o seu próprio estilo consistia em ver a natureza segundo as suas formas fundamentais: a esfera, o cilindro e o cone. Cézanne preocupava-se mais com a captação destas formas do que com a representação do ambiente atmosférico. Não é difícil ver nesta atitude uma reacção de carácter intelectual contra o gozo puramente colorido do impressionismo.

 

Sobre ele, Renoir escreveu, rebatendo o crítico de arte Castagnary:

Eu me enfureço ao pensar que ele  não entendeu que Uma Moderna Olympia, de Cézanne, era uma obra prima clássica, mais próxima de Giorgione que de Claude Monet, e que diante dele estava um pintor já fora do Impressionismo.”

 


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