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Domingo, Maio 26, 2024

15 dias de Teatro com o 38º Citemor

“Micro-apoio” da secretaria de Estado salva edição do evento

Como sempre, o epicentro do evento está na vila medieval de Montemor-o-Velho, mas esta 38ª edição abre na cidade de Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, com performances de Dinis Machado e Tiago Cadete, dias 5 e 6 de Agosto.

Esta sexta-feira há ainda música na Baixa de Coimbra, no Salão Brazil, pelos Nice Weather For Ducks, a partir das 23 horas.

Depois, o Citemor decorre na sua vila de Montemor-o-Velho até ao próximo dia 20 de Agosto, com propostas variadas como a Selecção Final do Loops Lisboa; um projecto de uma conversa original do espanhol Ignasi Duarte com o escritor Gonçalo M. Tavares; a remontagem de obras de referência dos criadores Miguel Bonneville e Rui Catalão.

A sessão de encerramento do Citemor 2016 vai acontecer a 20 de Agosto na bela sala do Teatro Esther de Carvalho, com um concerto de SURMA (Débora Umbelino). Note-se que neste festival é o espectador que define quanto deve pagar para os bilhetes dos espectáculos.

Apesar de apresentar no seu longo currículo um vasto conjunto de espectáculos notáveis, muitos criados em residências artísticas na vila, sobretudo na área do teatro e das artes performativas, mas também da música, o Citemor tem vivido as últimas edições em grande sufoco financeiro desde que deixou de receber apoio estatal em 2012.

citemor-destaque

Apesar disso, a organização, a cargo do CITEC (Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho), conseguiu sempre manter de pé aquele que é o mais antigo festival de teatro em Portugal, fundado nos anos 60 pelo Professor Paulo Quintela.

A presente edição não esconde a crise que assolou o festival, com uma programação mais curta do que o habitual, mas sempre apostando na originalidade e criatividade das diversas propostas. A organização faz mesmo questão de salientar que esta 38ª edição só foi “assegurada in-extremis” graças ao “empenho do secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, e de várias entidades que historicamente apoiam o projecto”.

“Reabriu-se uma porta de esperança”

Este apoio que salvou a presente edição significa que o Citemor reentrou na lista dos eventos apoiados pela secretaria de Estado da Cultura? Ao Tornado, Armando Valente, director do Citemor, considerou que “este apoio é apenas pontual”, o que permitiu assegurar a realização do evento.

Mas Armando Valente não esconde também que este apoio “reabriu uma porta de esperança” para o futuro do Citemor, que já poderá novamente candidatar-se aos apoios estatais para a edição do próximo ano.

O director do Citemor recordou que o festival não tinha apoio da secretaria de Estado da Cultura desde 2012. O anterior governo não só cortou as verbas ao certame como “também nunca ninguém nos recebeu em audiência”, comentou Armando Valente que nota haver, actualmente, na atitude governativa maior reconhecimento do “peso da cultura na dinamização social”.

Este apoio “foi apenas um micro-apoio, pontual”, mas que parece trazer novas perspectivas futuras para um projecto que se tem revelado incontornável no panorama das artes performativas em Portugal ao longo da sua existência.

Armando Valente acredita que esta “edição de resgate” será uma janela aberta para uma nova vida no projecto do Festival de Montemor-o-Velho.

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