Diário
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João de Sousa

Terça-feira, Novembro 30, 2021

Com seu rosto

Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

Poemas de Delmar Maia Gonçalves

I

Com seu rosto
de morte anunciada
que nos visita
diariamente
A noite abraçou-me
Soprou forte
o vento do Norte
levantando
a poeira
do desespero a Sul
E a lua
surgiu nascente
e banha-me
com a esperança adormecida.

 

II

Estou sempre
no local errado
onde sucedem
suicídios conscientes
e as paisagens
se diluem
onde as chamas
avançam
entre rochas
e pedras surdas
e a morte ganha rosto.

 

III

“Toda a poesia mora no coração das árvores que trémulas,
inquietas , mas tranquilas e lúcidas
encontraram pujantes vozes na floresta.”

 

IV

Todos os dias
sou carbonizado
pelo olhar flamejante
de Hienas
que vestem penas
de Pombas.

 

XXIV

Quanto vale o choro dos pássaros
e o tilintar dos peixes
neste universo?

 

XXVII

Pétalas de rosas beijaram
teus lábios de mel
colmeia!

 

XLI

Se as algas falassem
gritariam de dor o cemitério plantado
em águas virgens e impolutas.

 

XLVII

Nuvens de gafanhotos
geram a festa
entre os humanos.

 


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