Diário
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Independente
João de Sousa

Domingo, Dezembro 5, 2021

Como quem chora!

João de Almeida Santos
Director da Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração e do Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais da ULHT

Poema de João de Almeida Santos a mote de Manuel Bandeira
Com inédito de Ana de Sousa para este Poema

“Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai gota a gota, do coração.”

Manuel Bandeira,  Poema: Desencanto.
Teresópolis, 1912. In Manuel Bandeira (1956).
Obras Poéticas. Lisboa: Minerva, pág. 33.

COMO QUEM CHORA!

Manuel Bandeira,
Ah!, meu Irmão,
“Eu faço versos
Como quem chora”
Quando meu gesto
Não tem perdão!

Também meus versos
Sabem a sangue,
Saem do peito,
Do coração,
Fico ferido
Se ela chora,
Leio teus versos
Ó meu Irmão!

No seu silêncio
Eu morro um pouco,
Com os meus versos
Há redenção,
Vou-a perdendo,
Mas penso nela,
É um amor
De perdição!

Rouca fica
A minha voz,
Gritar seu nome
É minha sina,
Perder seu rosto
É dor atroz,
Tem um olhar
Que ilumina
E suas lágrimas
São minha foz…

 Se eu a vejo
É sobressalto,
Se não a vejo
É solidão,
Manuel Bandeira
Dá-me teus versos,
Ó companheiro
Dá-me a mão!


Ilustração: O poeta brasileiro Manuel Bandeira (1886-1968).

Um inédito de Ana de Sousa para este Poema, inspirado em Desencanto. Junho de 2017).

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