Diário
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João de Sousa

Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Cumprindo o desafio que nos legaram

Maria Augusta Sousa
Enfermeira. Ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros e membro do Conselho de Administração da Fundação SNS.

Comemorando o aniversário da morte de João Semedo e o consenso para a nova Lei de Bases da Saúde

Publicamos a intervenção de Maria Augusta Sousa, realizada aquando da cerimónia do aniversário da morte de João Semedo e congratulação pela perspectiva de aprovação da nova Lei de Bases da Saúde. O nome do jantar foi: A vitória da persistência.

Cumprindo o desafio que nos legaram

João Semedo e António Arnaut

Uma nova LBS – venceu o futuro

Uma batalha vencida – uma nova etapa para salvar o SNS

Só faz sentido falar em batalhas vencidas ou perdidas quando a guerra se instala e os campos estão claros. Sabendo que do campo que não é o nosso haverá sempre investidas e tentativas de invasão que têm como finalidade baralhar as tropas do nosso campo…

Só nos aguentamos e podemos ter como objetivo vencer quando não perdemos o foco que nos anima, que nos faz alinhar estratégias e ajustar táticas …

Pois, comemorar esta batalha é dar significado ao tempo e ao espaço político que ela transportou e que nos impele a continuar.

É na identificação deste significado que, determinados companheiros de luta,  não nos deixaram perder o foco e que temos obrigação de garantir que a memória não se apague.

João Semedo deixou-nos há um ano! António Arnault há um ano e poucos meses…

Com as vidas periclitantes de que já eram portadores deram-nos o importante impulso pelo grito que se ecoou de “Salvar o SNS”. A sua coragem e frontalidade foram para muitos a referência ao longo desta guerra feita de batalhas vencidas e perdidas.

Mas nada melhor que honrar a memória dos que não podem partilhar connosco o caminho percorrido do que termos tido a capacidade de o realizar e querermos continuar nesta senda.

Este é e será o nosso maior OBRIGADA e a nossa mais profunda HOMENAGEM a estes dois companheiros de luta até ao fim da sua vida.

Quem entrou nesta guerra, no nosso campo, foram muitos! Com avanços e recuos mas com a firme disposição de nunca baixar os braços. Foram estes muitos, nos quais me incluo e que ouso aqui mencionar pelo privilégio de ter participado:

  • o Manifesto “Pela Nossa Saúde”, grupo coordenado pelo Cipriano Justo, e pelo percurso que daí foi possível desenvolver, que me orgulho, pelo contributo efetivo de que foi gerador.
  • cidadania na enfermagem, um pequeno Grupo de Enfermeiros, numa fase de grande turbulência da classe,  que se empenhou em olhar para a sua responsabilidade profissional e cívica e participar no caminho que se tinha iniciado no debate sobre a LBS
  • Fundação Saúde – SNS, no quadro da sua responsabilidade social contribui para uma reflexão alargada criando o necessário espaço de debate que se propõe continuar, abrindo a  partir de amanhã, o aprofundamento sobre  SNS – uma interpretação histórica – Linhas para a sua transformação.

Mas foram muitos mais organizadamente que o fizeram como ficou comprovado nas audições realizadas pelo Grupo de trabalho da CPS para a revisão da LBS.

Mas importa afirmar que os zig-zags do PS não conseguiram impor o que os mais conservadores de entre eles quiseram fazer desta matéria. Estou certa de que para tal foi determinante a participação cívica, apostada na mudança e no futuro, mas sobretudo a capacidade de fazer alianças políticas, capazes de ultrapassar meras táticas determinadas por dinâmicas internas de cada partido que constituiu a solução política desta legislatura.

Por isso podemos afirmar que a rutura com a Lei de 90 do PSD/CDS, mesmo que mitigada nalguns aspetos, só a esquerda poderia impor face à tentativa camuflada de tudo manter na mesma ou com retoques para que nada mudasse.

Sem esta capacidade na AR do BE, PCP, Verdes e quem no PS se bateu pela solução encontrada nada poderia mudar. Bem-hajam e OBRIGADA a todos pela fidelidade à natureza do SNS.

Mas terminada esta batalha que se espera aconteça o seu ponto final no próximo dia 19 não permite retirar tropas da linha da frente da guerra que vai continuar e das novas batalhas que se avizinham.

Do que vamos vendo, ouvindo e lendo – temos a batalha das PPP’s adiada por 6 meses… mas não será fácil… é necessário cerrar fileiras.

Pelo meio temos eleições é necessário clarificar compromissos que para a saúde  permitam continuar o caminho iniciado.

Iniciar desde já  o que se impõe de transformação para reforçar o SNS a alteração do seu estatuto e a garantia da natureza pública da sua gestão, com os recursos necessários à sua autonomia e empenho dos seus profissionais.

É uma tarefa que se impõe a todos os que o defendem, na  sua natureza universal, geral e tendencialmente gratuita, sem recuo nem maninganças, por uma participação organizada e ativa que não dê tréguas a quem quiser potenciar a utilização do SNS para fins corporativos sejam eles económicos e/ou profissionais.

Por isso com a força de que a razão vence quando inteligentemente a utilizamos.

Ninguém pode ser dispensado todos juntos faremos caminho naquilo que nos une e respeitando o que nos desune.

Continuemos! e…

Termino como comecei:

Cumprindo o desafio que João Semedo e Arnaut nos legaram – Uma nova LBS  venceu o futuro

Uma batalha vencida – uma nova etapa para salvar o SNS

 


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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