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Terça-feira, Julho 5, 2022

Escândalo de Regina Duarte expõe falta de Cultura no desgoverno Bolsonaro

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Cobrada por ações no ar em telejornal da CNN Brasil, a secretária de Cultura do desgoverno Bolsonaro, a ex-atriz Regina Duarte tratou de garantir o seu emprego, deu chilique no ar, fez escândalo, exaltou a ditadura (1964-1985) e não respondeu nada sobre projetos que ela não tem para a sua pasta.

Não respondeu a nenhuma questão levantada pela atriz Maitê Proença, diga-se de passagem, não tem nada de comunista, menos ainda a CNN. Mas Regina, que balançava no cargo, se garantiu. Permanece na secretaria porque, a exemplo do seu chefe, não responde às perguntas que tem obrigação de responder. Ela deveria falar de Cultura.

Confira o que falou a ex-atriz

Aliás a Cultura tem sido rebaixada pelos governos pós golpe de 2016. Michel Temer chegou a extingui-lo e voltou atrás devido a reação da classe artística pelo movimento Ocupa Cultura. O desgoverno Jair Bolsonaro rebaixou para secretaria e não encontrava ninguém para assumir. Nomeou o que conseguiu. Não teve como manter.

A ex-atriz, que recebe até hoje pensão deixada por seu pai militar, por uma lei que permite que militares deixem para filhas solteiras uma pensão vitalícia, que no caso não é pouca coisa, foi a solução encontrada para tentar calar a cobrança da sociedade.

Em 2002, Regina foi à televisão dizer que tinha medo de uma vitória do então candidato favorito à eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva. Surgiu a frase de que a esperança venceria o medo. E venceu.

E meio à pandemia do coronavírus cobra-se da secretária respostas sobre a manutenção da vida de artistas. Foi o que a Maitê, que também recebe pensão deixada por seu pai militar, cobrou da secretária bolsonarista na sucursal brasileira da rede de TV norte-americana.

Além de não apresentar nenhum projeto para a Cultura, a ex-atriz desrespeitou os jornalistas e o público com evasivas. Falou em carregar mortes sobre os ombros. Mas quem está agindo com irresponsabilidade e sendo responsável por mortes que poderiam ser evitadas é o desgoverno do qual ela faz parte.

A ex-atriz deveria prestar atenção inclusive ao caso do suicídio de Flávio Migliaccio (1934-2020), causado pela revolta em ver a situação da cultura e dos artistas neste momento. Mas ela não comenta nem sequer as mortes de importantes artistas e intelectuais ocorridas recentemente. Chegou a dizer que não conheceu Aldir Blanc (1946-2020), que morreu por Covid-19.

Qualquer pessoa não teria a obrigação de conhecê-lo, mas a pessoa responsável pela fomentação da cultura no país tem a obrigação de saber que foi um dos mais importantes compositores da música popular brasileira. Se não sabe, vai para casa, veste o pijama e espera a pandemia passar. Falta de dinheiro, que acomete um grande número de artistas e trabalhadores da cultura, ela não terá.

Então, dona Regina, já que faz parte desse desgoverno, que tal trabalhar para o recebimento de auxílio emergencial aos que estão impedidos de trabalhar na produção artística neste período. É o mínimo que poderia fazer.

 

Um pouco de história

Um pouco de história para refrescar a memória da ex-atriz. O Ministério da Cultura foi criado em 15 de março de 1985 pelo decreto nº 91.144 do então presidente José Sarney. Mas somente entrou no mapa da Cultura na gestão de Gilberto Gil (2003-2008).

Gil comprovou o que me disse o dramaturgo Luiz Alberto de Abreu em uma entrevista em 1997 de que somente uma pessoa do movimento cultural poderia transformar o Ministério da Cultura em algo útil para a vida do país. O ministério passou a existir na prática e contar com crescimento em seu orçamento, embora sempre muito aquém das reais necessidades da Cultura.

Mas qualquer um que queira contar a história do ministério, será obrigado a falar em antes e depois de Gilberto Gil. Juca Ferreira, que era o secretário executivo de Gil, continuou e avançou nos projetos, sempre valorizando a produção cultura de todos os cantos do país. Foi nas gestões deles que surgiram os pontos de cultura e diversos outros projetos e incentivos à produção cultural.

A Agência Nacional do Cinema, por exemplo, criou mecanismos de funcionamento do audiovisual nacional com crescimento da produção de uma maneira nunca vista. O cinema brasileiro cresceu como nunca.

Outras pessoas assumiram o ministério, surgiu inclusive o vale-cultura – um repasse de R$ 50 por mês para que trabalhadores gastassem com Cultura. Os empresários que adotassem o vale-cultura tinham abatimento no imposto de renda.

Após a queda de Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer em 2016, o Ministério da Cultura perdeu status. Já com Jair Bolsonaro foi rebaixado à secretaria e os projetos e cultura estão em zero. Como zero é o desgoverno Bolsonaro.

 

O desabafo de Ernesto

Ernesto José de Carvalho,  conhecido como Ernesto Guevara.

Teve o pai Devanir de Carvalho morto pela ditadura,  2 tiros também.  A mãe presa torturada e exilada


Texto em português do Brasil


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