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João de Sousa

Segunda-feira, Setembro 20, 2021

Eu, os marinheiros e o porvir

Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

Poemas de Delmar Maia Gonçalves

“Eu, os marinheiros e o porvir”

Os marinheiros como eu
remaram, remaram, remaram
Mas uma bela tarde
os marinheiros pararam de remar
estranha e misteriosamente pararam de remar
E os navios ficaram ali baloiçando
baloiçando no mar alto,
revolto e rebarbado
que tudo engole
Durante dois dias
e duas noites
depois, mais dois dias e duas longas noites
e depois semanas, meses e anos
baloiçando no mar já calmo.
O silêncio tornou-se de morte.
O que aconteceu?
Porque parais de remar
destemidos marinheiros?
Porque parais?
Onde pára a vossa arte
e engenho projectadas para o porvir?

III

Dentro de mim
os Lobos furiosos
e cinzentos
nunca triunfarão
Embora
eu seja apenas mais um homem magro
de olheiras fundas
e os Cordeiros mansos e prudentes
ainda dominem
o meu terreno plano.

“Reino do esquecimento”

Não quero
fazer parte
de um qualquer
reino do esquecimento
Quero vincar bem
minha estadia
fazendo mapas na água.

XXIV

Inconformado
me quedarei
dando um valente
estalo
no vazio do meu pranto!

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