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Sexta-feira, Outubro 7, 2022

Informação bruta de evoluções obscuras

José Mateus
José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

Informação bruta de evoluções obscuras | "Les compagnons de Baal", CIA?

… que os media mainstream não alcançam e cuja análise deixo, então, como desafio,  ao cuidado dos leitores.

Restaurantes chineses

Em Moscovo encobriam uma rede de distribuição de droga “made in China” que o FSB acaba de desmantelar. Esta luta russa contra a droga chinesa está a ensombrar as boas relações entre os “serviços” de Moscovo e Pequim, com o FSB a acusar o Gonganbu de incompetência, pondo directamente em causa Liu Yuejin, o director-adjunto do Gonganbu encarregado do combate aos estupefacientes, e Liang Yun, o responsável do Narcotics Control Bureau (NCB). Além de Moscovo, as tríades chinesas têm em Vladivostok e Khabarovsk uma forte presença, controlando a distribuição de droga e outros tráficos. O Gonganbu tinha sido reestruturado, há escassos meses, devido à descoberta (Moscovo não dorme…) da implicação de altos quadros do “serviço” no tráfico de anfetaminas… Agora, o Gonganbu desculpa-se junto do FSB com o argumento de que o produtor da droga é… a Coreia do Norte!  Entretanto, as mafias chinesas prosperam no país de Putine.

Em perda de velocidade

O Guoanbu já tinha visto serem-lhe retirados os “hackers” (que foram entregues aos militares) e, mais recentemente, viu o Qingbaoju (as informações militares) estenderem as suas competências e prerrogativas e eclipsarem-no em várias áreas até aí seu exclusivo domínio. Para “parar a hemorragia” e, em simultâneo, reforçar a sua posição pessoal, o patrão da temida Comissão Central de Disciplina e Investigação do PCC, Wang Qishan, nomeara o seu adjunto, Chen Wenqing, no fim deste ano passado, para patrão do Guoanbu (mantendo-o, porém, na CCDI)… O desmantelamento pelo FSB da rede mafiosa dos restaurantes chineses, as sua queixas (quase) públicas da incompetência de Pequim e o deixar filtrar da informação da operação (por altura do ano novo chinês… ou de como há gente com humor no FSB de Putine!) não auguram nada de bom para o reestruturado Guoanbu.

Defesa sem restaurante

Chamava-se “La Bergerie” e era o restaurante francês de Alexandria (na Virginia, USA)

Chamava-se “La Bergerie” e era o restaurante francês de Alexandria (na Virginia, USA). Era também o local de treino em “maneiras europeias” de estar à mesa dos homens da DIA (Defense Intelligence Agency), futuros adidos de Defesa em embaixadas europeias. Fechou agora, depois de 40 anos de bons e leais serviços à gastronomia… e não só. A DIA vai ter de procurar um substituto à altura.

Acordo secreto

Entre Israel e a Rússia estabelece uma divisão do controlo dos céus da Síria, entre os dois Estados. Os últimos meses viram um aumento substancial dos ataques ao solo da aviação israelita contra carregamentos de armamento pesado e sofisticado destinado ao Hezbollah do Líbano (e, portanto, ameaça directa a Israel), sem que os seus aviões jamais se tenham cruzado com aviões russos… Israel não confirma nem desmente e Moscovo mantem um silêncio total sobre este acordo secreto que boas fontes dizem ter sido negociado ao mais alto nível, na Primavera passada. Um acordo que estabelece um ‘modus vivendi’ chamado de “desconflituação”.

Banca e “eléctricas” vão aos “serviços”

Procurar o que lhes falta desesperadamente: inteligência, antecipação e segurança, sobretudo, a ciber. O Barclays acaba de contratar o americano Royce Curtin, que representava o FBI no Office of Director of National Intelligence (ODNI), para dirigir a sua Global Intelligence Unit. Curtin vai aí encontrar o inglês Paul Horlick, ex-Metropolitan Police, e o dinamarquês Troels Oerting, ex-patrão das ‘operações’ no serviço de inteligência da polícia dinamarquesa. Por seu lado, o banco francês BNP foi buscar Arnaud Chevreul ao Groupe de Sécurité de la Présidence de la République e entregou-lhe a segurança do ‘corporate’ (actividade financeira de que o gigante bancário francês é líder na Europa).

A EDF (que o Estado francês teve o cuidado de não vender aos chineses…) prepara-se para contratar o patrão da Direction de la Coopération Internationale (DCI) do Ministério do Interior de Paris, Emile Perez (a quem antes parecia estar destinada a cadeira de chefe da DGSI – Direction Générale de la Sécurité Intérieure).

Da presidência para a prisão

Da presidência para a prisão, Wang Tianpu, ex-patrão do mastodonte chinês da energia Sinopec Group

Wang Tianpu, ex-patrão do mastodonte chinês da energia Sinopec Group, foi condenado a 15,5 anos de prisão sob acusações de corrupção. Os autores da condenação consideraram que Wang Tianpu embolsou cerca de 5 milhões de dólares em actos de corrupção e desfalcou a propriedade de Estado em cerca 115 mil dólares… Escassos dias antes desta condenação, Liao Yongyuan, ex-executivo da CNPC, “empresa-mãe” da Sinopec, tinha sido condenado também a 15 anos de prisão, por corrupção. Outro presidente à beira do precipício é Jiang Zemin, ex-presidente da República. Depois da prisão do seu filho, Jiang Mianheng, no Verão passado, as polícias do PCC estão à beira de fazer cair todo o clã do antigo presidente chinês.

No Ocidente, as acusações de corrupção e a instrumentalização de polícias, magistrados e media tornaram-se correntes no quadro de guerras de informação integradas em processos de guerra económica. Na China, onde a economia é (formal ou informalmente) propriedade do Estado, a guerra de informação baseada em acusações de corrupção (fundamentadas ou inventadas, tanto faz) tornou-se uma eficientíssima arma de “limpeza” política e é a arma favorita da actual direcção comunista do “príncipe vermelho” Xi Jinping para exterminar adversários e impor, consolidar e aumentar o seu poder.

CIA: Ai dos vencidos…!

A direcção da CIA perdeu a sua guerra contra Donald Trump e paga por isso. Numa autêntica razia, o novo patrão, o veterano destas matérias Mike Pompeu, representante republicano do Kansas e membro do House Permanent Select Committee on Intelligence, prepara a mudança de mais de 50 quadros de topo da agência no que já é considerado uma das maiores purgas da história da CIA, apenas comparável à que Ronald Reagan lhe impôs quando chegou à Casa Branca, em 1980.

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