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Segunda-feira, Maio 23, 2022

“Não temos como provar, mas temos convicção”

Tribunal da Inquisição - Goya, óleo
Tribunal da Inquisição – Goya, óleo

O pitoresco Brasil, jovem país, de religiosidade aguçada e com vocação para encontrar o seu porto seguro em um passado que nem conheceu, resolve agora reinstaurar a “Inquisição”, triste período da história mundial, iniciado no século XII, muito antes dos portugueses terem esbarrado em nossas terras.

Na tarde de ontem, um grupo de delegados e investigadores, capitaneados e a serviço do juiz Sérgio Moro, que traz em seu currículo cursos de formação nos serviços de informação do Departamento de Estado da América do Norte, apresentou à nação um longo espetáculo midiático em que denuncia o ex-presidente Lula por supostos crimes de corrupção, mas fazendo uma ressalva: “não temos como provar, mas temos convicção”.

A mesma convicção que alimentou com corpos de homens e mulheres muitas fogueiras pelo mundo e com a benção da Santa Igreja.

Aqui vale lembrar aquilo que escreveu o historiador português Oliveira Marques, em seu livro História de Portugal sobre o período da inquisição:

“A Inquisição surge como uma instituição muito complexa, com objectivos ideológicos, económicos e sociais, consciente e inconscientemente expressos.”

O que está em jogo nesse momento não é justiça, nem punição de culpados e corruptos, mas sim, seguir à risca a cartilha de um ardiloso golpe parlamentar que conduziu ao poder uma eminência obscura, que até parece retirada do livro Conde Drácula, escrito por Bram Stoker em 1897.

O pano de fundo desse golpe é eliminar do cenário político os partidos de esquerda e em especial o Partido dos Trabalhadores, vencedor das quatro últimas eleições presidenciais, afastando a ameaça de que Lula, o preferido nas pesquisas de intenção de voto para o próximo pleito, retorne ao poder.

Mais do que isso, por trás do golpe existem claros interesses econômicos que vão do petróleo do pré-sal às privatizações que já estão em curso, existe um interesse ideológico e político de enfraquecer o MERCOSUL, existem os interesses da mídia e da oligarquia, os mesmos agentes que patrocinaram e apoiaram o Golpe Militar de 1964.

Em poucos meses o Brasil conseguiu inverter o relógio da História: passamos do século 21 para o 12!

Marcelo Brettas, Jornalista e Escritor
O autor escreve em português do Brasil

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