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Sexta-feira, Dezembro 2, 2022

O amor esvoaça tresmalhado de belo

Vítor Burity da Silva, Angola
Vítor Burity da Silva, Angola
Ph.D em Filosofia das Ciências Políticas. Pós Doutorado em (Educação e Psicologia). Doutor Honorário em Literatura e Filosofia. Professor Honorário de Filosofia da Educação. Professor Catedrático. Investigador da Universidade de Évora. Membro da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Membro da Associação Portuguesa de Escritores. Escritor.

Seria um sorriso aquele abraço matinal. Esvoaça a alegria neste pasto de tantos a festejarem a existência, encontro de cânticos apenas entre nós, que somos todos.

O amor é uma ideia ampliada de esforços e vontades, gestos nobres espelhados na alma superam assim o cansaço ao fim do dia e vamos, que destino?, pensar num belo mar e voar, navegar sobre que ondas o barco flutua descansado e nobre criando uma espuma de bradar, dedos içados e mergulhos entre todos na mesma caserna de tropas vencedores, vestir a farda da vitória onde o rumo se interiorize na nossa casa vespertina, diariamente, o som dos olás por todos os cantos sem pensar mais.

Sentimos a inércia divagar longe, projectar o tempo nas almas que refutam vontades sérias, sinto a brisa sonolenta abeirar-se da distância onde nela as jaulas fogem, abrem-se devagar num ritmo sem tempo limite e tudo é ira da satisfação. Breves olhares tresmalham o silêncio que somos, a erma estrada por que passamos longos períodos da vida, a cama conselheira e a almoçada para que a cabeça sobressaia de si mesma voando a vida por entre verdades descansadas, sim, a gente percebe que em cada toque, cada abraço, um conselho profundo nos fazem orar sem credos mas com ânsias e voltar à manhã seguinte como se nada tivesse acontecido, sermos o mesmo de ontem com mais um dia de vida e saber, esse saber que a vida ensina, o limiar dos anos repletos preenchendo cada passo com saudades, sabes, a saudade é um resquício da vaidade, um pouco do que ansiamos e isso faz-nos percorrer o ar profundo do saber, do amor, sim, amor mesmo, esse de que falo e que me entendam os amantes, somos fardos nunca fartos de nós mesmos por isso o amor por nós mesmos nos faz sentir, mesmo que de longe ou longe, o calor e os afectos de que tanto precisamos. O amor esvoaça tresmalhado de belo, verde como as profundezas da saudade, o sentido das coisas e as palavras distantes, próximas, ouvidas em ruído ou na sala de todos, uma família sentada na plateia da verdade, da vida.

Sabes, nós aqui, sentados neste jardim da infância saboreando a brisa, entrelacemos as mãos, decora cada taco do banco que nos acolhe e sorri, esquece a maresia agora, tudo te parecerá tão diferente, esquecemos que a morte existe, esquecemos as guerras e sentimos apenas aquela viagem no mesmo lugar sorrindo sem vaidade. A noite promete o seu ofício, o escuro aproxima-se a que velocidade, tudo se torna real nesta plateia de actores do real sem rodeios.

Sabes, a vida faz-me sentir em viagens permanentes, incursões belas do que acontecer nestas mãos dadas à realidade dos que nos surgir, sejamos amantes eternos dormindo enfim, quando o relógio nos destinar a um sono repleto. Durmamos então.


do livro Reflexões Profundas,
Vítor Burity da Silva
Crónicas


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