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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

O Cântico de Cybele

Yvette Centeno
Yvette Centeno
Licenciou-se em Filologia Germânica, e e doutorou-se com uma tese sobre A alquimia no Fausto de Goethe. É desde 1983 Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde fundou o Gabinete de Estudos de Simbologia, actualmente integrado no Centro de Estudos do Imaginário Literário.

Poema de Yvette Centeno

“Tudo em repouso:
A treva e a luz,
A flôr e o livro”.

(Rainer Maria Rilke, Sonetos a Orfeu)

 

O Cântico de Cybele

1.

A lua cobriu o rosto
com a sua nuvem lilás:
ouviu-se
dentro da noite
uma raiz
arrancada
uma flauta
a soluçar

2.

Vai o veleiro cortando
as ondas das águas claras
ao leme a criança eterna
aprendendo a navegar
onde irá ter o veleiro:
ao areal desejado
ou
à profundeza do mar?

3.

Orfeu demorava-se
ali,
abraçando a sua Amada
junto às pedras do ribeiro.
Disse à deusa:
quem me verá renascer
quem dirá meu nome
inteiro?

4.

A deusa disse à Amada:
vem ter comigo
quando quiseres chorar,
guardei Orfeu
no meu peito
vamos num carro
de luz
não te vou abandonar

5.

É tempo.
Busquemos aquelas grutas
onde se formam
as almas:
são elas que nos protegem,
contam os dias
as horas
dizem os nomes inteiros
de quem vai a caminhar

in memoriam…

 


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