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Segunda-feira, Setembro 27, 2021

«Olhar de uma Africana» de Margarida Tavares

Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

“A esperança é uma bússola sem dono.”
DMG

“Basta ler, escutar, sentir e conseguimos ver.”
DMG

Pediu-me a amiga, confrade e “soba” Margarida Tavares (uma verdadeira lição de vida em carne viva), das ilhas crioulas de Cabo Verde que escrevesse um prefácio em tempo record, para este “Olhar de uma Africana”.

O tempo foi curto para um empreendimento desta dimensão, natureza e responsabilidade, e o nível de auto-exigência desproporcional. Mas o que fazer? Dizer não? Como resistir ao apelo da África viva? Como resistir ao apelo da poesia? Como resistir à fraternidade humana? Como resistir ao apelo da lusofonia?

A autora, “mais um precioso pedaço de pau-preto disseminado pelo Mundo”, nas palavras da malograda e grande poeta moçambicana Noémia de Sousa, abraça a Lusofonia como quem se embrenha num Poema inacabado para finalmente concretizá-lo.

Decifrar seu universo enigmático e singular, no plano de uma poética subjectiva, torna-nos ainda mais cúmplices de uma experiência ou conjunto de experiências que envolvem a própria vida.

Mas, não é verdade que cada ser humano é ele próprio uma ilha nascendo noutras ilhas?

Fica-nos a poética pujante e pungente de Margarida Tavares, uma mãe coragem de África, para com ela nos deliciarmos e descobrirmos também as ilhas que há em nós, individual e colectivamente, para finalmente redescobrirmos a maravilha da infalibilidade da interdependência.

Este livro, como a autora, é de uma audácia que vale a pena descobrir.

Títulos como “Os líderes Africanos”, ”Regresso de um Emigrante”, ”Preto”, ”Africana”, ”Crianças Africanas”, ”Estudantes Africanos”, ”Cabo-Verdiano”, ”Continente Africano”, entre outros, provam que a África vai pulsando nas diásporas e sugerem o orgulho nas/das origens, o orgulho de ser africano e um claro e pujante apelo fraterno da presença africana no mundo. Na verdade, tudo o resto estará nas entrelinhas do subjectivo e secundário, que África não se encerra nunca nas páginas dos livros e Margarida Tavares cantá-la-á sempre e enquanto respirar e, ainda mais, sempre que um leitor atrevido e sedento devorar esta obra que urge descobrir e redescobrir.

É fundamental, pois, que cada um de nós ao lê-lo, olhe bem para dentro de si próprio para adquirir a consciência da sua magnífica solidão que nos enriquece e enriquecerá sempre na diferença.

África essa continuará a dançar na autora ao som dos batuques, em nós Leitores e no Mundo, através destes belos, altivos e fraternais poemas.

 

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