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Domingo, Outubro 24, 2021

”Um e Outros Telegramas” de Vana Vopamuzi

Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

Breves anotações literárias para um moldável Prefácio do Livro de Augusto Esteve.

Somos apenas viandantes de passagem e curta é a estadia.”
DMG

Somos viagem em tempo incerto.”
DMG

A esperança é uma nau intemporal.”
DMG

Depois de lançar “Os Remadores” para o imenso oceano da poesia da vida, eis que Augusto Esteve nos surpreende com nova obra urgente de “Um e Outros Telegramas”!

Claramente desconheço que “magia” ou “feitiço” converte algumas páginas generosas de poesia em um espelho capaz de mostrar com toda a nitidez a alma do Poeta desnudada e adentrarmos a enorme constelação dos sentimentos profundos de quem as escreve.

Tudo isto com uma linguagem simples por isso genuína, fresca, cristalina, transparente e generosa como de resto já sucedera na obra anterior. Portanto, nada nos surpreende neste promissor vate.

Moçambique é felizardo em parir filhos da poesia do grande poema que se constitui. Dividido em dez províncias com dez estrofes e a sua multicultural, multiétnica, multirracial e multilinguística sociedade, só podia conceber filhos de múltiplas linguagens reunidas no verbo literário. Ainda bem.

Por isso:

Cá no Zambeze
tudo é diferente do Índico,
Tudo é diferente do Rovuma.
Cá o verão não me atormenta,
as noites de lua cheia são uma serenidade
infinita

.”

Os telegramas são um sinal da necessidade vital de comunicação. Neles os Pássaros livres por natureza cantam as suas angústias e sonhos do porvir.

Reivindicam o seu lugar no mundo.

De tantas angústias, ainda  há lugar para o amor, muitas vezes com a brevidade possível, com a urgência vital.

Mensagens angustiadas e angustiantes são trocadas:

Amado, aí neste lugar sem nome
o asfalto é feroz,
os corações não se saciam,
não tem sorrisos como os daqui,

.”

O mundo viveria alguma vez sem poesia? Poesia que se respira, transpira, canta, dança, come, bebe e que com os poetas adormece no regaço da mãe-pátria? Não creio.

Há aqui um hábil olhar crítico e autocrítico sobre a verdade da condição humana.

Naturalmente, o autor corporiza os gritos e prantos que se seguem ao canto de um povo que o destino teima em desleixar no caminho livre do amor e do progresso.

Daí que:

O tempo não vai apagar,
nem a molha da chuva levar,
não apagaria nem molharia
os nossos prantos,
…”

Mas consegue o poeta sonhador por natureza, transformar o seu canto em melodia da esperança, reivindicando a sua tormentosa existência com a viagem pelos rios da poesia e portanto do futuro onde os homens abraçam o progresso e a abundância que nos sacia as carências apagando a memória de tempos maus.

Como diria o poeta português António Maria Lisboa:

A seta já contém o alvo, mas só percorre a seta aquele que lhe conhece o alvo.”

Que assim seja vate!

Bayete poeta Augusto Esteve, continua!

 

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