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Terça-feira, Setembro 28, 2021

A eterna busca de um sentido para a vida

Christiane Brito, em São Paulo
Jornalista, escritora e eterna militante pelos direitos humanos; criou a “Biografia do Idoso” contra o ageísmo.  É adepta do Hip-Hop (Rap) como legítima e uma das mais belas expressões culturais da resistência dos povos.

O médico congolês, Denis Mukwege, ganhador do Nobel da Paz 2018, para dar um exemplo, escolheu dedicar-se a uma causa em vez de desfrutar mordomias no mundo ocidental. Fundou um hospital que se dedica a mulheres mutiladas e vítimas da guerra.

(OLHO)

A arte é uma mentira que revela a verdade, declarou o mestre da pintura Pablo Picasso. Não quis afirmar que sua obra fosse uma mentira, mas um ato criativo que que perseguia a verdade, como se essa fosse única. Essa reflexão, instigante, demonstra como a verdade da vida, ou o seu sentido, é nada mais que uma conclusão subjetiva, uma “mentira” criativa, que tanto os grandes gênios da humanidade, bem como os simples mortais, precisam buscar para dar significado aos fatos e feitos que constituem suas vidas e suas obras.

Atento aos conflitos dos tempos atuais, às transformações sociais e políticas que se multiplicam no mundo, o tradicional circuito de debates promovido anualmente pelo Fronteiras do Pensamento deteve-se justamente nessa questão, o sentido da vida e propôs a palestrantes de notória reputação em suas áreas o desafio de definir  “Os sentidos da vida na contemporaneidade”.

Justificando o tema, Fernando L. Schuler, curador do Fronteiras do Pensamento, explica o principal objetivo dessa proposta: “Como a Filosofia, como um pensamento, pode nos ajudar a ter uma vida feliz, ou interessante, como preferiu definir Contardo Caligaris, psiquiatra polivalente e um dos participantes do atual evento?

A ideia de felicidade, que Caligaris rejeitou como sentido maior da vida, assemelha-se mesmo a uma quimera diante dos dramas que a existência humana necessariamente enfrenta. O drama sem exceção faz parte do cotidiano de todo homem, não importa sua condição ou origem. Diante dessa realidade, as escolhas e caminhos que trilhamos podem constituir nossa verdadeira realização no mundo, ou seja, podem representar o sentido da vida que se leva ou que se levou.  Podem, em última instância, dar um significado aos enfrentamentos e lutas inevitáveis ou buscadas.

O médico congolês, Denis Mukwege, ganhador do Nobel da Paz 2018, para dar um exemplo, escolheu dedicar-se a uma causa em vez de desfrutar mordomias no mundo ocidental. Fundou um hospital que se dedica a mulheres mutiladas e vítimas da guerra.

Denis Mukwege


Médico congolês ganhador do Nobel da Paz 2018 e Prémio Calouste Gulbenkian 2015

Graça Machel, viúva de Nelson Mandela, também optou pelo ativismo social em territórios pobres e carentes de investimentos e de direitos humanos. Defende ações pela educação das crianças e pelo empreendedorismo de mulheres. Essa luta é a sua realização, dá sentido à vida que leva no continente africano.

Paulo Auster, prestigiado escritor e best-seller norte-americano, vive em outra realidade, urbana, para a qual transporta seus personagens: “Eles são como nós — diz Fernando –, enfrentam conflitos quase insuportáveis e, de repente, alguém vai se isolar no Brooklyn onde descobre novo sentido para a vida”.

Luc Ferry, filósofo francês e ex-Ministro da Educação na França é otimista. Propõe que se encare os fatos da vida como fatalidade, ou seja, deve-se evitar que a vida nos surpreenda e encarar toda dificuldade como aprendizado.

Finalmente, a cientista norte-americana Jana Levin, com os olhos voltados para o vasto espaço acima de nós, busca compreender os buracos negros e as ondas gravitacionais no espaço-tempo. Professora de física e astronomia, escreve sobre a obstinação do homem em desvendar os mistérios do universo, que também se ocultam em nosso interior e podem consolidar o sentido da vida na contemporaneidade.

Paul Auster, Roger Scruton, Denis Mukwege, Janna Levin, Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry são os convidados do Fronteiras do Pensamento 2019, irão confrontar diferentes sentidos de vida, sem consenso, mas com muito sabor e motivação para todos os participantes.

A obra desses conferencistas, assim como um belo filme ou livro, podem nos transportar para experiências de transcendência, como citou o curador do evento, Fernando, circunstância que por si só justifica a vida e lhe dá um significado nobre, por mais difícil que ela se apresente a cada um de nós, simples mortais. 

E para você, qual é o sentido desta vida?

Assim como a verdade não é única, a resposta a essa pergunta é ampla e nossos conferencistas vão enriquecer a discussão com elementos de variados setores do conhecimento.


Texto em português do Brasil


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