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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022

Imprensa massifica “cursos” de terrorismo?

Estrela Serranohttps://vaievem.wordpress.com/
Professora de Jornalismo e Comunicação

Lemos notícias bombásticas e irresponsáveis, algumas constituindo-se como autênticas sugestões sobre como utilizar o material roubado.

Os momentos de crise não põem à prova apenas os governantes. Põem também à prova algumas corporações e instituições. A actual crise provocada pelos incêndios de Pedrógão Grande e pelo roubo de armas em Tancos está a ser um desafio para o jornalismo e para a instituição militar, confrontando-as com fragilidades e contradições internas e externas.

Quem acompanha a actualidade nacional através dos media verifica, no caso do jornalismo, que em geral não tem sido capaz de separar opiniões, convicções e preconceitos pessoais e ideológicos faltando-lhe lucidez e equidistância na cobertura e na análise dos factos. Lemos, por exemplo, notícias bombásticas e irresponsáveis, algumas constituindo autênticas sugestões para terroristas sobre como utilizar o material roubado. Outras, na ânsia de ir à frente dos acontecimentos, não hesitam em apontar culpados e responsáveis pelo incêndio de Pedrógão e pelas mortes na estrada 236-1.

entre os comentadores não faltou quem  viesse citar um “político de nível muito elevado” que lhe terá revelado que o grupo responsável pelo furto em Tancos “já estava sob suspeita” das autoridades e que estava a ser seguido para ser apanhado “em flagrante delito”.

Tudo se passa sob o manto da irresponsabilidade em que jornalistas, militares  e políticos enchem a boca dizendo que o caso é “muito grave” (o que os obrigaria a terem tento na língua) mas depois não hesitam em lançar atoardas e exigirem “responsabilidades” não cuidando de assumir as suas.

No que respeita à instituição militar é notória, e para mim inesperada, a tentativa de desresponsabilização do assalto a Tancos cuja guarda é de sua inteira responsabilidade. É mesmo chocante que um dos responsáveis pela anunciada (depois abortada) manifestação de militares para deporem as espadas  venha chamar corruptos aos políticos quando na Força Aérea se encontram detidos por suspeita de corrupção altas patentes do ramo. Além de que é o próprio Chefe do Estado Maior do Exército a admitir colaboração interna, isto é de militares, no roubo de Tancos.

Tinha da instituição militar uma alta consideração que me vinha dos tempos da presidência Mário Soares e do contacto diário que como assessora para os media mantinha com os  militares destacados em Belém. Admirava-lhes a capacidade de organização, a lealdade, a firmeza e a seriedade. O que vejo agora são militares (embora na reserva) que acham que o CEME suspender de funções os responsáveis pela guarda do material assaltado enquanto duram as investigações é uma afronta e por isso queriam entregar as espadas.

Os jornalistas ficaram excitadíssimos com a ideia de uma manifestação com grande coreografia, imaginavam já certamente belas imagens para passar nas televisões e nas primeiras páginas com declarações exaltadas próprias de um PREC renovado. É uma chatice para eles que, pelo menos isso, tenha falhado!

Exclusivo Tornado / VAI E VEM

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