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João de Sousa

Domingo, Outubro 24, 2021

Nova Iorque – 11 de setembro

Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

Poemas de Delmar Maia Gonçalves

I

Sempre vivi noites geométricas
mas nunca consegui tê-las simétricas
Umas mais verdes
e outras demasiado cinzentas
A escuridão tomou conta
do espaço que não me pertence.

II

“Eu e o poeta”

Entre mim e o poeta
não há diferença
Eu e ele somos um!
Quando o poeta
fala ,falo eu!
Quando falo eu, fala o poeta!

III

Há silêncio
do silêncio
nas entranhas
do meu silêncio.

IV

Só a palavra
tempera a alma
e adocica a vida!

V

Ram
decidiu exterminar
ovelhas tresmalhadas
lobos disfarçados de cordeiros
quizumbas de sinistros sorrisos
e corvos de mau agoiro
numa estratégica partida de póker no além!

VI

“Mulher L – Desfile no Cais do Sodré”

Ao cair da noite
vislumbram-se predadores nocturnos
divagando em busca de presas fáceis
Estas em polvorosa
desfilam quais gazelas esvoaçantes
com pomposas vestes, corpos curvilíneos
ansiosas de prazer e um punhado de euros.

VII

“Nova Iorque – 11 de setembro”

Se dúvidas houvessem
ficaram dissipadas
com o aumento
da intensidade da escuridão
nebulosa do mundo.

VIII

Era uma vez
enchi o meu coração de pedra
Depois, abri-o
Quando voltei a vê-lo
as pedras estavam inundadas de tudo
meu coração chorava!

IX

“Mulher XVII”

Ao embrenhar-me
no éden do teu corpo
Jamais me senti saciado.

X

Teu corpo
mais o meu corpo
construíram um arquipélago.

XI

“Inventário de mim”

Fiz um novo inventário de mim mesmo
e encontrei um espelho vazio de mim
e cheio de nada.

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