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Terça-feira, Outubro 26, 2021

O luzidio da terra plana brilhava no céu

Vítor Burity da Silva, Angola
Ph.D em Filosofia das Ciências Políticas. Doutor Honorário em Literatura e Filosofia. Professor Honorário de Filosofia da Educação. Professor Universitário. Investigador. Escritor.

O luzidio da terra plana brilhava no céu, e poetas esculpiam a beleza do infinito.

Ouviam-se aqueles brilhos que pairavam sobre sombras de que sorrisos os ventos levavam, e caminhavam naquele deserto aberto para as cores lá de cima, enviadas pelo amor que os homens desconhecem, e ali, sentado numa pedra inventada que importava ser ou não, o poeta esculpia o bom daquelas estrelas que flutuavam as paisagens que criamos na cabeça de todos e todos nelas como se delas fossemos seus servos, sim, nem que seja para mais um gesto de felicidade e aquela pedra esculpida fazia o renascimento da humanidade que os humanos desprezam.

Movimentos cadentes nas mãos do obreiro do sonho para que acordem estrelas novas na cadente história dos nossos passos, doar nas cabeças dos maus e fazê-los ver e entender, a vida, é afinal muito mais que estar num lugar qualquer lançando arrotos e agonia contra quem apenas nos vem pedir um pão. Ou cumprimentar. Ou apenas desejar um abraço. Muito lá em cima o reflexo castanho umas vezes, outras verdes e mais ainda noutras azuis, é verdade, lá em cima, mesmo que nós daqui da terra nem sequer nos apercebamos ficam as cicatrizes dos nossos actos.

O infinito ficava cada vez mais distante à medida que nos aproximávamos, o infinito era de tal luzidio que se recusava a aceitar que nunca se tenha preocupado um que fosse na vida com quer que fosse, sem esperar disso uma recompensa qualquer, daí a definição escuitada pelas mãos do maior pensador de todos os alguma vez tenham sentido dor, e ninguém um segundo que fosse para apenas puder ver com os olhos da mente aquele derretido nos escombros da ganância.

Por ali caminhávamos, fora ou dentro da cabeça entender a tarde e perceber de que parte o nada nos ataca, pensei como é importante ser prudente, mas nunca receando nada, o poeta nada teme a não ser a morte que a ninguém perdoa e como tal porquê tentar evita-la? Nas mãos, o artesão dos silêncios a esculpir versos repletos de sonhos tal o peso da verdade, um secular vento sem vazios preenchia sem remorsos o sorriso de crianças que inocentes acreditavam na verdade dos que tentavam com doces na mão e sacos cheios, levar para o futuro que nem eles conheciam, verdade, sei que o futuro não assim coisa de outro acreditem, mas já me preocupei mais com essas e ao sentir-me tantas vezes apertado por querer pensar enclausurei-me a mim mesmo na minha fé que vive solitária debaixo de todas aquelas que comigo tantas vezes conversavam e enquanto ia sendo possível desenhava ou esculpia na sombra dos sonhadores tantas almas perdidas e penadas, não venha o futuro e derrubar tudo com raiva da razão.

E ao fim de todas aquelas manhãs tarde ainda, o sol partia para o seu descanso e descansava como o anjo que nunca consegui esculpir com as palavras que escrevia todos os dias!


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