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Terça-feira, Outubro 4, 2022

Os Correios e a produtividade nacional

Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida
Economista, MBA, Pos-graduado em Estudos Estratégicos e de Segurança, Auditor do curso de Prospectiva, geoeconomia e geoestratégia, Doutorando em Sociologia

ctt

 

A entrega rápida e sem falhas do correio é um importante factor de competitividade nas economias avançadas. Se os contratos não chegam na data indicada, se as intimações dos tribunais não são entregues, se as facturas não chegam aos clientes, se a encomenda se perde, ocorrem prejuízos, de maior ou menor magnitude, na economia.

Cada dia de atraso, cada engano de morada, cada extravio tem custos económicos e sociais. Somados representam milhões de euros em cada ano.

As empresas de entrega de correio têm assim uma pesada responsabilidade na produtividade dos países, das empresas e das pessoas

Certo que o correio electrónico retirou algum tráfego mas no essencial o correio comercial e pessoal continua estável porque parte dessa diminuição é parcialmente compensada pela expansão económica que induz novas necessidades de correspondência. Aliás, as duas formas de comunicação complementam-se. Quantas vezes enviamos um e-mail informando que a carta já foi rementida?

Os CTT em Portugal foram durante décadas uma empresa pública empenhada em contribuir para a produtividade nacional A empresa depois de privatizada tem vindo a perder a vertente global que a caracterizava.

Fecharam-se dezenas de postos dos correios com perdas de produtividade nas áreas agora mais distantes dos serviços. As empresas e as pessoas aí localizadas têm agora um custo adicional no acesso aos CTT o que significa demora na entrega da sua correspondência.

Por outro lado a entrega de correspondência dos CTT é lenta quando comparada com outros serviços de outros países.

ctt-quadroComo membro de uma rede de troca de postais tenho algumas estatísticas que gostaria de compartilhar.

Verifica-se que os postais enviados levam mais tempo a chegar ao destino do que os postais recebidos.

Significa que um postal enviado, por exemplo, de Portugal para a Alemanha leva mais 8 dias a chegar ao destino do que um postal enviado da Alemanha para Portugal.

Vemos que os Alemães tem um correio mais rápido do que o português, conseguindo colocar as suas cartas em Portugal 8 dias antes do que Portugal consegue colocar na Alemanha. Naturalmente esta maior velocidade de comunicação é uma vantagem competitiva das empresas alemãs. Dos países analisados só temos vantagem sobre a China, um país enorme e ainda em grande medida rural.

No que toca à rapidez de entrega estes dados são elucidativos. Os CTT parecem mais lentos e enviar o correio do que os seus contrapartes de outros países desenvolvidos.

E no que toca à precisão e garantia de entrega?

O panorama também nessa área não é famoso. Neste capítulo o uso da tecnologia é chave. Vemos surgir no mercado empresas irlandesas e de outras nacionalidades a garantir a entrega das cartas. Como o fazem? Armando os seus carteiros com GPS o que garante o controlo da presença na morada e com um leitor de código de barras.

Assim podemos saber que a carta A foi entregue à hora y, momento em que o carteiro a passou no leitor de código de barras, estando ele no prédio correspondente à morada, o que sabemos pelo GPS.

Muitas empresas estão já a passar a sua correspondência importante, facturas, contratos, cobranças, pagamentos, para esta alternativa que lhes garante uma comprovada entrega.

Que fazem os CTT? Persistem nas velhas tecnologias, atrasando-se e, consequentemente, perdendo quota de mercado. Mas pior do que isso impondo um custo económico de produtividade à sociedade portuguesa.

Nestas circunstâncias que juízo fazer da liderança dessa empresa? Que competência lhes reconhecer? Que confiança depositar na solução privada?

É tempo de repensar a estratégia nacional para os serviços postais à luz da sua importância para a produtividade do país. Vemos que essa função conflitua claramente com o tipo de propriedade da empresa.

Uma empresa privada visa o lucro e não o aumento da produtividade da economia portuguesa. Persistindo nesta solução teremos aqui mais um travão ao desenvolvimento económico e à produtividade nacional.

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