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João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 5, 2022

A forma especifica de urrar identifica a sua pertença aos donos

Quando a bestialidade alienante do jogo da bola culmina no terrorismo, ouço o Presidente da República dizer que se sente vexado com a imagem de Portugal no exterior e o Primeiro-Ministro a prometer a criação de uma comissão contra a violência no desporto. Desporto? Mas desde quando o culto da violência e do ódio que grassa nestas associações de malfeitores é compaginável com a ideia de desporto? Alguém já viu o espectáculo da entrada para os recintos nos jogos “importantes”? Já olharam bem para as massas de “adeptos”, destas empresas mono-coloridas a que eufemisticamente chamam “clubes desportivos”? Trata-se, desde há muitos, muitos anos, de viveiros de criminosos, neo-nazis, corruptos e ladrões, apoiados por teias de interesses e negócios obscuros que colonizaram a comunicação social… “até ao pus”, como muito bem disse o Presidente da Assembleia da República.

É vê-los, todos em passo de corrida, escoltados em gaiola pela polícia de choque que os protege da sanha sanguinária dos serviçais do clube inimigo. Houve vários esfaqueamentos entre estes “desportistas” nos últimos anos, assim como destruição de património público, corte de auto-estradas, apedrejamentos de autocarros, etc. E lá vão eles, cantando, rindo e arrotando, exibindo triunfalmente os símbolos da imbecilidade colectiva que, pela cor e pela associação a formas específicas de urrar, identificam a sua pertença aos donos. Os responsáveis e cúmplices desta tão popular e exacerbada forma de estupidez agonística, acordaram agora para o problema do terrorismo de que são os promotores.

À legião de psicopatas e de inúteis que medram neste meio – que vale o que vale não por ser desporto, mas por ser negócio – tivemos há uns anos de pagar com os nossos impostos os faustosos estádios de um qualquer campeonato não sei de quê, temos de os aturar em intermináveis demonstrações de cretinismo e abjecta verborreia à abertura dos telejornais, temos de os ouvir a toda a hora nos cafés, nas escolas e nos locais de trabalho, e ainda querem que toleremos como natural a existência de claques?

A arruaça permanente, a constante agressão física e verbal, o culto da violência e do ódio, a estupidificação dos quotidianos, a lavagem ao cérebro dos pais aos filhos…? E o pior – como mostrava um canal de televisão há pouco – é que, com os recentes episódios de terrorismo, os activos do tal clube estão a desvalorizar. O holandês vale 19 milhões, mas a cabeça partida vai baixar-lhe o preço. Que pena!…

É tão bom ir ao futebol em família, ter um deus-animal, tipo leão, águia… e ser solidário com os valores da pátria e do patriarcado! Por isso, é melhor que o Primeiro-Ministro crie mesmo a tal comissão, mas que não lhe chame da “violência no desporto” e sim da “violência no futebol”. São coisas diferentes.

Fascismo é mesmo só no futebol!…

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