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João de Sousa

Domingo, Fevereiro 25, 2024

Debate aceso, discórdia entre republicanos aumenta

clinton-sanders
O Washington Post escreveu mesmo que os candidatos “fizeram pouco para disfarçar o rancor e a antipatia que se enraizaram, à medida que Sanders vai desgastando a liderança de Clinton”.

O senador do Vermont abriu o debate frisando o sucesso da sua campanha, alegando que isto se deve ao facto “de estarmos a dizer ao povo americano a verdade”. Clinton alegou que as qualificações de Sanders para o cargo são escassas.

A tensão no debate de duas horas, que o jornal de Washington diz “ter passado à hostilidade assumida”, foi óbvia antes do intervalo: ambos os candidatos se acusaram mutuamente de estarem impreparados, confusos e mal conduzidos. Os gritos que ambos trocaram levaram o moderador da CNN, Wolf Blitzer, a dizer “se estão a gritar um com o outro, os telespectadores não vos poderão ouvir”.

A CNN relata que Sanders e Clinton questionaram o “bom senso” um do outro em questões como a guerra do Iraque e Wall Street. O tema das alterações climáticas evidenciou ainda mais as diferenças entre ambos: a secretária de Estado apontou que o senador do Vermont faltou ao recente acordo de Paris e Sanders ripostou que “passos graduais não chegam”. “Não vou ter um papel secundário na sua legislação, que introduziu e que não foi capaz de fazer aprovar”, ironizou a ex-primeira-dama.

De novo, Clinton recusou-se a falar sobre as conferências que deu (e pelas quais foi paga) para firmas financeiras, depois de ter deixado o Departamento de Estado, e a divulgar as transcrições de declarações sobre empresas como a Goldman Sachs, o que levou o adversário a atacá-la por isso; e Clinton contra-atacou Sanders pelas suas propostas de reforma financeira. A ex-primeira-dama disse que só as divulgaria quando os republicanos o fizessem. “Porque há discursos feitos por dinheiro do outro lado, eu sei disso”, frisou.

Ambos os candidatos concordaram num aspecto: lamentam os efeitos desproporcionadamente negativos que as medidas agressivas de combate ao crime (que ambos apoiaram) introduzidas na década de 90 tiveram. Clinton chegou mesmo a pedir desculpa à comunidade afro-americana, a mais atingida. Por sua vez, Sanders não pediu desculpas por esse mau passo, nem quando um familiar de uma das vítimas dos ataques à Sandy Hook Elementary School, em 2012, exigiu que o senador do Vermont assumisse o erro de não ter apoiado uma medida que, a ser aprovada, permitiria às vítimas de tiroteios de processarem as empresas de fabrico de armas. Reconheceu o direito à família de ser compensada, mas disse “não lhes dever pedidos de desculpas”.

Acerca do facto do debate ser em Brooklyn, famoso bairro nova-iorquino, o senador do Vermont admitiu “adorar” aquela zona, na qual nasceu e cresceu, enquanto que Clinton apostou no estatuto de nova-iorquina por adopção, uma vez que foi senadora do Estado e tem lá residência.

Ted Cruz conquista votos republicanos; Trump diz-se roubado

A vitória de Ted Cruz na convenção do Partido Republicano no estado do Colorado desagradou a Donald Trump. O empresário e candidato a presidente dos EUA diz ter sido vítima de uma “trapaça” ao ser derrotado pelo seu rival e senador do Texas nessa votação, no passado fim-de-semana.

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Num comício eleitoral na passada segunda-feira em Albany, estado de Nova York, Trump chegou a dizer que “descobrimos que no Colorado não há uma democracia como acreditávamos que havia”, e classificou o processo das primárias republicanas como um “sistema deturpado, nojento e sujo”. Foi mais longe ao dizer que “o povo do Colorado teve o seu voto usurpado pelos políticos hipócritas. A grande história na política. Não vamos permitir isto!”. Trump também insinuou que o rival recorreu a subornos através de uma publicação na conta da rede social Twitter.

Enquanto Donald Trump insiste na campanha no estado de Nova York, o seu adversário Jonh Kasich afirma “ir muito bem” na sua própria campanha e Cruz tem estado ausente noutros estados; esteve na Republican Jewish Convention em Las Vegas, viajou até à Califórnia e daí passará a fazer campanha em Nova York.

 

Jornal de Nova York declara apoiar Clinton e critica Sanders

Citado pela estação televisiva CBS, poucos dias antes do debate entre os candidatos democratas Hillary Clinton e Bernie Sanders no estado de Nova York, com vista às primárias, o jornal New York Daily News  terá declarado apoiar a ex-primeira-dama na corrida às presidenciais do país.

Clinton seria descrita no editorial da publicação como “uma guerreira realista super-preparada”. Bernie Sanders  seria “um fantasista que está numa guerra com a realidade”.

O jornal terá frisado as qualidades de Clinton, quanto aos seus conhecimentos sobre a autoridade presidencial e a compreensão sobre o contexto económico do país. Acrescentaria que Hillary Clinton “estava com os olhos abertos sobre o que está errado na América enquanto se manteve firme sobre o que está certo para a América”. Sanders terá sido descrito como “completamente impreparado” para o cargo: “tal como aconteceria com qualquer fenómeno ideológico, um olhar mais atento aos pensamentos de Sanders clarifica que a confiança está deslocada”, diz o editorial.

De acordo com a mesma fonte, para o New York Daily News, as críticas de Sanders ao sistema bancário são irrealistas, bem como as suas propostas para aumentar os impostos, para manter um sistema de saúde para todos e isentar os estudantes universitários de pagarem propinas. O jornal terá chamado “hipócrita” a  Sanders por causa das suas políticas.

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