Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quinta-feira, Maio 30, 2024

O Choupal, Paul Cézanne

Guilherme Antunes
Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

“O Choupal”. De Paul Cézanne, pintor pós-impressionista francês.Há um alardeamento deste choupal em submissão já “marcada” pela abstracção. Esta concepção estática geometrizada vai prosseguindo a via de definitivo afastamento do pintor do movimento impressionista, que já não lhe chega e de que quer distância artística.

O artista cola-se mais e mais à mãe Natureza, como uma mola paralela à sua capacidade de criação, do que, patentemente, se pode inferir pela dimensão da sua pincelada. É um outro Cézanne a caminho de uma Revolução na pintura.

Paul Cézanne 1839-1096

Cézanne pode ser considerado como a ponte entre o impressionismo do final do século XIX e o cubismo do início do século XX. A frase atribuída a Matisse e a Picasso, de que Cézanne “é o pai de todos nós”, deve ser levada em conta.

Após uma fase inicial dedicada aos temas dramáticos e grandiloquentes próprios da escola romântica, Paul Cézanne criou um estilo próprio, influenciado por Delacroix. Introduziu nas suas obras distorções formais e alterações de perspectiva em benefício da composição ou para ressaltar o volume e peso dos objectos. Concebeu a cor de um modo sem precedentes, definindo diferentes volumes que foram essenciais para suas composições únicas.

Cézanne não se subordinava às leis da perspectiva e, sim, as modificava. A sua concepção da composição era arquitectónica; segundo as suas próprias palavras, o seu próprio estilo consistia em ver a natureza segundo as suas formas fundamentais: a esfera, o cilindro e o cone. Cézanne preocupava-se mais com a captação destas formas do que com a representação do ambiente atmosférico. Não é difícil ver nesta atitude uma reacção de carácter intelectual contra o gozo puramente colorido do impressionismo.

Sobre ele, Renoir escreveu, rebatendo o crítico de arte Castagnary: Eu me enfureço ao pensar que ele  não entendeu que Uma Moderna Olympia, de Cézanne, era uma obra prima clássica, mais próxima de Giorgione que de Claude Monet, e que diante dele estava um pintor já fora do Impressionismo.

No início da década de 70, influenciados por Camille Pissarro, começou a trabalhar ao ar livre e clareou gradualmente suas telas. Assim como os impressionistas, queria pintar directamente da natureza, mas também retomar a grandeza e ordem dos mestres clássicos como Poussin.

Retratar banhistas virou uma obsessão para o artista. Paul Cézanne pintou também paisagens e natureza morta, figuras humanas e retratos. Era criticado por um grupo de impressionistas pelo seu estilo diferenciado e por se distanciar cada vez mais das técnicas impressionistas.

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -