Istambul

Começam os julgamentos dos supostos golpistas

Na terça-feira (27), 29 membros da polícia turca foram presentes a julgamento, em Istambul, acusados de alegado envolvimento na tentativa de golpe do passado mês de Julho contra o Presidente Recep Tayyip Erdogan

São ainda acusados de pertencerem ao movimento chefiado por Fethullah Gulen, um antigo aliado de Erdogan que caiu em desgraça e se encontra exilado na Pensilvânia. Dos 29 suspeitos, 21 enfrentam a possível condenação a três anos de prisão, enquanto os restantes oito, podem ser condenados até 15 anos atrás das grades.

Este é o primeiro grupo dos cerca de 41.000 elementos da Polícia, militares, funcionários do governo e funcionários públicos que serão julgados sob acusação de ligação ao golpe de estado — um acto de repressão que mantém muitos observadores internacionais preocupados com o destino da Turquia ao assistirem ao desmoronar das instituições democráticas e do estado de direito. É também previsível que seja o processo judicial mais extenso da história da Turquia, pretendendo chegar ao fundo do golpe fracassado do qual resultaram cerca de 250 mortes.

Muitos líderes da NATO, que a Turquia integra, incluindo os Estados Unidos, manifestaram preocupação quanto a um possível uso, por parte de Erdogan, do golpe fracassado para a repressão e para se consolidar no poder. Washington tem até agora rejeitado os pedidos turcos para extraditar Gulen a fim de ser julgado na Turquia uma vez que considera que Ancara não forneceu provas suficientes do alegado envolvimento do clérigo no golpe de estado. Mas Erdogan tem vindo a acusar Gulen de mais crimes. Inclusive atribuiu a culpa do assassinato do embaixador da Rússia na Turquia, a 19 de Dezembro último, ao movimento Gulenista. A Rússia não reconheceu, ainda, essas acusações.

Enquanto isso, as autoridades turcas continuam atentas a insultos ou ofensas contra o presidente. Na segunda-feira, o chefe de uma cafetaria nas instalações do jornal Cumhuriyet terá dito que recusaria servir chá a Erdogan. Terá sido imediatamente detido pela polícia e, se condenado, poderá enfrentar quatro anos de prisão por insultar o Presidente.

O Cumhuriyet e outros veículos de informação turcos, que têm criticado Erdogan, enfrentaram represálias durante a repressão pós-golpe. Em 10 de Novembro, funcionários do Cumhuriyet foram detidos, acusados de apoio a Gulen e de serem militantes curdos enquanto o antigo editor-chefe, Can Dundar, fugiu para a Alemanha. O Repórteres Sem Fronteiras atribuiu, este ano, à Turquia, a posição 151 (em 180 países) no ranking das liberdades de imprensa, atrás do Tajiquistão, do Sudão do Sul e do Zimbabwe.

Fonte: R. Gramer | Foreign Policy

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