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João de Sousa

Terça-feira, Maio 24, 2022

Estreia da Semana: Joy

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**

Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro num dos filmes nomeados aos Globos de Ouro, replicando uma história baseada em factos verídicos.

E eis que à terceira colaboração de David O. Russell com Jennifer Lawrence a magia se esvai… ou melhor é enxugada pela esfregona maravilha de Joy Mangano, a tal americana que a inventou e vendeu como pãezinhos quentes num programa de televendas e que se tornou milionária do dia para a noite, servindo de inspiração para este filme. Talvez estejamos (mal) habituados às personagens incompletas, sabiamente tricotadas por um cineasta nascido para o mundo com o aplauso em Sundance, a principal montra do cinema indie. A verdade é que Joy está uns furos abaixo do trio anterior – os magníficos Golpada Americana, Guia Para um Final Feliz e The Fighter – Último Round, que interromperam os oito anos em que DOR esteve sem filmar.

joy3Se é bem verdade que não se mexe em equipa vencedora – David repetiu parte do elenco, além da oscarizada Lawrence, veio também Robert De Niro e Bradley Cooper -, já o guião desta gata borralheira à procura do american dream não absorveu a mesma excentricidade tão refinada dos anteriores como uma esfregona a sério. Vá-se lá saber porquê.

É claro que, numa primeira parte, ainda se tenta tornar o filme mais singular ao revelar-se esta menina super-criativa que tudo inventava, mas que se adiou sine die para cuidar da família disfuncional, a mãe (Virginia Madsen) viciada em telenovelas, a avó mais compreensiva (Diane Ladd), um pai impulsivo (Robert De Niro), bem como a sua nova namorada rica (Isabella Rosselini) que a ajudou no financiamento; até o próprio ex-marido (Édgar Ramírez) se ocupou, cedendo-lhe uma parte da cave para os seus ensaios de música latina. Ainda assim, este microcosmo surreal é também a parte mais aborrecida do filme; lá para a hora de fita, a história lá arrebita depois de Joy apresentar o seu invento a uma cadeia de televendas, a QVC, dirigida por Neil Walker (Bradley Cooper), que se deixa tentar por esta americana que acabaria por vingar o ditado the ordinary that meets the extraordinary.

É claro que o milagre acaba por acontecer, da mesma forma como acontecem os milagres americanos, num misto de artificialismo barato, mas em que o povão ligado à TV tem tendência a responder afirmativamente. Um pouco como se revíssemos a Simone de Oliveira na TV tuga a confidenciar aos seus espectadores, numa pausa das filmagens, o segredo pelo qual mantém intacta a sua vitalidade se deve ao uso do tal suplemento de cálcio, recentemente denunciado como sendo uma espécie de ‘banha da cobra’ com efeitos potencialmente nocivos.joy2

É claro que o problema de Joy não assenta nesta incursão no universo da reality TV, se bem que seja esse o ambiente em que o filme também navega, relatando uma história que nada apresenta de novidade. Portanto, em relação àquela originalidade de David O. Russell ficamos conversados.

É claro que Jennifer Lawrence não sabe fazer feio, de outro modo não estaria nomeada para os Globos de Ouro (mas que não deverá vencer na próxima Segunda-feira), ela que arrebatou o seu Óscar por Guia Para um Final Feliz, apesar de ter sido repetente na nomeação (secundária) no ano seguinte com Golpada Americana, sempre com O. Russell. E nem sequer vamos especular sobre as discussões que a actriz terá tido com o realizador, avançadas pela imprensa mais sensacionalista. Não vamos por aí. Também defendidas estão as prestações de De Niro, Cooper e do restante cast. O problema fundamental do filme é procurar resolver-se da mesma forma que os diversos exemplos mainstream que trilham esse percurso self made qualquer coisa. Este deveria ser um filme a rimar com alegria (joy), mas digamos que esta não supera uma certa decepção. Sobretudo quando a expectativa vem inflacionada pelo crédito granjeado por David O. Russell. Fica para a próxima.

Nota: A nossa opinião (de * a *****)

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=F_oPPrSlVc4

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